A agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos produtos que chegam à mesa dos brasileiros. Entretanto, a maioria da população não sabe ou não conhece a importância desses produtores, formados por pequenos grupos de pessoas e que estão descobrindo na arquitetura uma forma de visualização e valorização dos seus produtos.

Segundo a arquiteta Estela Netto, os produtos regionais têm sido cada vez mais valorizados. “Os empresários têm percebido essa busca e valorização da identidade vernacular e investido nisso. Eles percebem a possibilidade de retorno financeiro”, afirma.

Loja “Leve Minas” no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte   Foto/Daniel Mansur

A arquiteta assina o projeto da loja Leve Minas, inaugurada recentemente no Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte. A loja dialoga com a cultura mineira, transcendendo o universo das fazendas. “Cabe à arquitetura um papel importantíssimo no Ponto de Venda (PDV). A exposição do produto, a iluminação, o fluxo do cliente dentro da loja, o mapa de calor e a conformação da identidade da marca. Neste projeto tivemos um desafio novo, onde a loja dialoga, também, com o cidadão cosmopolita, que viaja pelo mundo, e tem sempre novas demandas. A linguagem estética que utilizamos tem a ver com a cultura mineira tradicional e também com a cultura mineira contemporânea”, explica Estela Netto.

É essa a proposta que o Mercado de Origem, com previsão de inauguração para outubro de 2019, traz a Belo Horizonte. Um novo espaço voltado para a troca de  conhecimentos e para a realização de negócios relacionados à agricultura familiar.

No local, pequenos produtores oferecerão uma ampla gama de gêneros alimentícios in natura ou processados de forma artesanal ou em pequena escala. Os produtos virão diretamente do campo para a cidade destinados ao consumidor final ou a pequenos revendedores, diretamente, sem a presença de atravessadores.

Mercado de Origem    Foto/Dávila Arquitetura

Responsável pelo projeto do Mercado de Origem, o escritório Dávila Arquitetura ressalta a retomada da arquitetura dos mercados em Belo Horizonte, repleta de referências aos antigos espaços da capital mineira, explica o arquiteto Afonso Walace.

“Antes de chegarmos ao conceito do Origem, pesquisamos alguns mercados de BH, principalmente a antiga Feira de Amostras de BH, localizada na Praça Rio Branco. Identificamos um símbolo importante naquele edifício – a torre de relógio – que marcava verticalmente o empreendimento, em alinhamento com o eixo da Av. Afonso Pena. Achando interessante resgatar o conceito, aproveitamos uma caixa d’água preexistente, um volume que já existia e o transformamos em torre de relógio”, revela. Além do relógio, o projeto arquitetônico traz outras referencias importantes dos antigos mercados de Belo Horizonte.

Fachada do Mercado de Origem    Foto/Dávila Arquitetura

“A fachada traz elementos diferenciados dos antigos mercados da capital, mas que podem ser lidos em outros edifícios da cidade. Outro efeito inovador é que no meio das paredes ‘cobogó’, imaginamos vitrines que conferem um toque contemporâneo surpreendente à edificação. Há também na fachada principal um terraço para o qual se abrem algumas lojas com potencial para serem ocupadas por bares e restaurantes. Estas, por sua vez, terão a frente em tijolos aparentes e com a entrada protegida pelos característicos toldos que marcam cafés e mercearias europeias”, conclui Afonso Walace.

O Mercado de Origem é uma ampla obra de retrofit com alteração no uso. Um obsoleto prédio no bairro Olhos D’Água, usado como motel sai de cena e dá origem a um mercado que concilia tradição e inovação.