Globo de Ouro de Melhor Filme (drama) na 71ª edição do prêmio, em janeiro, e nove indicações ao Oscar 2014 são as credenciais de “12 Anos de Escravidão” (Twelve Years a Slave), que estreia nesta sexta-feira (21 de fevereiro) em Belo Horizonte.

O longa de Steve McQueen está bem distante da estética de Django Livre, de Quentin Tarantino, e foi desenvolvido em contexto histórico, com roteiro baseado na autobiografia de Solomon Northup, um músico negro e livre, sequestrado em 1841 em Nova York, levado para uma senzala em Washington e vendido como escravo para trabalhar em uma plantação na Lousiania. Seus documentos e a carta de libertação que comprovariam sua condição de homem livre foram confiscadas: ele ganhou um novo nome e a alcunha de fugitivo e resgatado.Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender e Lupita Nyrong’o são os principais atores de 12 Anos de Escravidão, e estão na corrida da estatueta – a 86ª edição acontece no dia 2 de março, em Los Angeles – nas categorias Melhor Ator, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante. O bonitão Brad Pitt também integra o elenco com um personagem fundamental na história, apesar das poucas cenas, e é um dos produtores do longa.

Cinema TWELVE YEARS A SLAVE Paramount (13) SiteTWELVE YEARS A SLAVEO filme acompanha o sofrimento e a redenção de Solomon Northup, vivido por Chiwetel Ejiofor em uma interpretação sensível, densa e sutil. Ele enfrenta a fúria e a crueldade de uma nova vida, privada de liberdade e da própria identidade.12 Anos de Escravidão é arrebatador, com um roteiro ágil, sensível e que consegue – ao fidelizar a narrativa de Northup em seu livro – dar uma nova dimensão à história da escravidão no Sul dos Estados Unidos, subvertendo narrativas de filmes anteriores, já que aborda da liberdade à escravidão até chegar, novamente, à vida livre.

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Solomon Northup, que na verdade passou 11 anos, oito meses e 26 dias como escravo, precisou deixar de existir para sobreviver aos maus tratos e à solidão longe da mulher e dos filhos. Letrado e sensível, o violonista narra como entendeu, após sofrimentos bárbaros, que gritar sua condição de homem livre só ameaçaria mais ainda sua vida. Ele teve três donos e um especialmente cruel: Edwin Epps, em atuação brilhante de Michael Fassbender, um homem que reúne os escravos para leituras da bíblia e usa a palavra de Deus para justificar a violência, o abuso e o desejo perverso por Patsey, de Lupita Nyrong’o. A jovem nasce escrava, sofre com a violência sexual de Epps, mas exala uma delicadeza e liberdade íntima que a tornam forte em sua frágil condição. “Ao recobrar a consciência, eu me vi sozinho na escuridão e preso por correntes e nada quebrava o silêncio opressivo, apenas o tilintar das minhas correntes, sempre que eu tentava me mexer. Eu falava em voz alta, mas o som da minha própria voz me deixava sobressaltado”, relata Solomon em um dos trechos de sua biografia, publicada originalmente em 1853, livro que chega ao Brasil em 24 de fevereiro, com tradução de Caroline Chang, pela Penguin/Companhia das Letras; 256 páginas; R$ 22,50 .TWELVE YEARS A SLAVE

É relevante o fato de Steve McQueen ser negro e inglês e resgatar as memórias de Northurp, um afrodescendente  norte-americano. O roteiro de John Ridley deu ao cineasta a base para uma história real, permeada de delicadeza em meio à brutalidade da senzala e mostra que o retorno à liberdade de Solomon, obrigado a deixar escravizados no Sul os amigos de jornada, não é o final feliz, simplesmente. De volta ao Norte, o músico, além de escrever o livro, passa a integrar a luta abolicionista. (Por Beth Barra – bethbarrapress@gmail.com)

TWELVE YEARS A SLAVE – 12 Anos de Escravidão – Direção de Steve McQueen, roteiro de John Ridley, Com Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Lupita Nyrong’o, Brad Pitt, figurino de Patricia Norris ( Fotos: Paramount (Walt Disney Studios Motion Pictures/Image.Net/Divulgação)