AudreyHepburnSiteFimagemDeGardens of the World (1993)Delícia clicar no google e ver o doodle em homenagem aos 85 anos de Audrey Hepburn. A atriz belga, nascida em 4 de maio de 1929, morreu há 21 anos (20 de janeiro de 93) e ainda representa a elegância despretenciosa e sem excessos – um antídoto em tempos de economia mundial mais austera. E sem segredos: ela costumava explicar que toda mulher podia encarnar uma lady com um vestido preto, óculos escuros (no seu caso, o icônico Wayfarer, da Ray Ban), poucas e bem escolhidas joias. Mas a atriz bem-nascida (o pai, inglês, era banqueiro; a mãe uma baronesa italiana) foi bem além de uma mulher chique. (Na imagem do  abre, Audrey Hepburn durante as filmagens de De Gardens of the World , série/documentário filmada pouco antes de sua morte).

Audrey Hepburn representa a perfeita equação entre elegância e discrição. Após se tornar uma musa – em filmes como Sabrina, Bonequinha de Luxo e  A Princesa e o Plebeu (que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz, em 1954) – e referência de estilo, ela seguiu sua vida como embaixadora da Unicef. Além dos olhos profundos, do corpo magro e flexível, do pescoço esguio e gracioso, do porte de bailarina, do talento e dos belos vestidos e peças assinados por Givenchy (estilista preferido e grande amigo) – ela revelou-se uma mulher sensível, dedicada a causas humanitárias e sem qualquer vaidade nessa trajetória do bem.

Origem nobre e a experiência da fome na Europa da guerra

Apesar da origem nobre, Audrey Hepburn chegou a passar fome na adolescência, na Europa desvastada pela Segunda Guerra Mundial (1939/1945). Foi viver com a mãe na Holanda – os pais se divorciaram quando ela tinha 9 anos de idade –  país que terminou também dominado pelos nazistas. A família, além das privações, envolveu-se com a Resistência e muitos parentes dela foram mortos. Sem confirmações oficiais,  a jovem, já uma bailarina, teria entregue bilhetes aos militantes anti-Hitler escondidos em suas sapatilhas de balé.

Com o fim da guerra, Audrey Hepburn continuou na Europa e investiu na carreira de atriz. Em 1952, foi vista pela escritora Colete em um saguão de hotel na França – onde filmava Montecarlo Baby –  e a escritora a escolheu para o papel-título de Gigi, peça que seria encenada na Broadway. Mesmo sem o sucesso previsto, a atriz mostrou seu talento e logo estava em Hollywood para as filmagens, em 1953, de Roman Holiday (A Princesa e o Plebeu, de Willian Wyler). Foi o começo da fama mundial e do Oscar – o único de sua carreira – ao viver a princesa Ann, que se envolve com o repórter Joe Bradley (Gregory Peck), sem revelar sua identidade.

De acordo com o American Film Institute ela é a terceira maior lenda do cinema, embora tenha feito menos de 30 filmes. Alguns se tornaram referência e quase sinônimo de seu nome – Sabrina, Bonequinha de Luxo, Fanne Face (Uma Cinderela em Paris), My Fair Lady e Como Roubar Um Milhão de Dólares, entre eles. Quando  morreu, vítima de câncer, em 1993, Audrey Hepburn tinha 63 anos de idade e a elegância da juventude, além da beleza  atemporal. No livro “A.Hepburn”, da série Movie Icons, da Editora Taschen, o crítico de cinema F.X.Feeney anotou: “Igualmente abençoada tanto em movimento como em repouso, olhos escuros brilhantes e um perfil requintado, que faria inveja a qualquer rainha”.

AudreyHepburnSite3Inesquecível – Nas primeiras cenas de Bonequinha de Luxo (1961), longo Givenchy, Wayfarer, luvas, coque e pérolas

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Luxo sem excessos: Audrey Hepburn em duas cenas de Funny Face e em Sabrina

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Incêndio de classe: o longa mais-que-perfeito em cena de Funny Face; e o cokctail dress de Bonequinha de Luxo

O legado de estilo de Audrey Hepburn está intrinsicamente ligado à persona elegante da atriz. Breakfast Tiffany’s (De  Blake Edwards, 1961, com George Peppard), baseado no romance de Truman Capote, tornou-se a equação perfeita de sua elegância.  Na primeira cena do longa, a garota de programa Holly (Audrey) salta de um táxi na Quinta Avenida, em Nova York,  e caminha usando um longo preto e sequinho Givenchy (Edith Head, outra lenda da telona, escolheu os figurinos), óculos escuros Wayfarer, luvas pretas, um intrincado colar com pérolas e cabelos presos em coque. Nas mãos, um copo de café e um sanduíche para olhar as joias da Tiffany’s. Essa cena celebrizou o filme e reafirmou a máxima de Chanel sobre a elegância inquestionável do dress black.

Bonequinha de Luxo, para Audrey, foi um dos filmes mais difíceis. Pelas nuances da personagem Holly  – uma garota de programa com coração romântico, e também por ter sido a segunda opção da Paramount para vivero papel. Mas é o longa mais celebrado da atriz pelas fãs que se encantam pelo romance com o frustrado escritor vivido por Peppard e pelo figurino e classe de Audrey em cena.

Assim, tão verdadeiramente Audrey….

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#lovreaudrey – Calça corsário, sapatilhas, malha e tricô pretos; a classe do little black dress

#parasempre – O icônico longo preto Givenchy de Bonequinha de Luxo é o desejado vestido perfeito. O modelo usado em 1961 continua elegante e contemporâneo em pleno século 21. Em 2008, foi leiloado por US$ 850 mil e já integrou a lista dos três mais belos vestidos do cinema – em terceiro lugar. Pela ordem, vem o dress em cetim de seda verde de  Keira Knightley em Desejo e Reparação e na sequência o branco imortalizado por Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao lado.

#despojamento –  Malhas e tricôs pretos, calça corsário, camisa masculina, sapatilhas, sapato de bico fino e salto Sabrina (cerca de 5 a 6 centímetros). Peças com o máximo efeito e eternas no guarda-roupa com as devidas atualizações de shape e acessórios

#retrô –  Em Bonequinha de Luxo, Audrey usou também um cocktail dress vermelho, cinturinha marcada. Modelito 50/60 nesses tempos modernos

#eternos –  Óculos escuros, lentes negras (o Waifarer da Ray Ban retomou a cena como queridinho desde 61, com Bonequinha de Luxo), colar de pérolas, écharpes.

#linda – O longo vaporoso de Givenchy, tomara-que-caia, de Uma Cinderela em Paris. Em Sabrina, o espetacular vestido com corpo ajustado, cauda discreta e bordados na barra no filme em que Humphrey Bogart e William Holden disputam o amor de Audrey.

#redred–  Apesar de quase sempre usar branco, preto e outros tons neutros, Audrey causava incêndios de classe ao adotar o vermelho. O dress red, delimitando suavemente o corpo, usado com uma écharpe esvoaçante no mesmo tom em Uma Cinderela em Paris (Funny Face) mostra que a cor paixão de Valentino (e de Dior) possui um toque de classe em modelos livres de muitos ornamentos. A não ser, que seja um Dolce & Gabbana em edição ladysexy.

#divadobem –  Finalmente, uma frase em que Audrey se define com doçura no livro  “A.Hepburn”, da série Movie Icons: “Para mim, as únicas coisas que importam são as relacionadas com o coração”. (#♥bethbarra) Beth Barrabethbarramoda@gmail.com)

Imagens – Divulgação/Estúdios e site doctormacro