embalos site 1 abre1John Travolta completou 60 anos em 18 de fevereiro. Aos 23 de idade ainda era um ator em busca de sucesso quando o longa Os Embalos de Sábado a Noite (Saturday Night Fever, de John Badham) chegou aos cinemas, em 1977. Com 1,88m de altura, olhos  azuis, magro e um marcante furinho no queixo, ele foi do anominato à fama com sua dança eletrizante,  coreografia perfeita e o terno branco que se tornaria a marca registrada de Tony Manero. O filme é o cartaz de Cinemark Clássicos, com exibições dias 22 (12h30) e 25 (19h30), no BH Shopping.

No ano seguinte (1978), Travolta retomou os passos de dança em Greese, nos Tempos da Brilhantina, e continuaria a ser cultuado por alguns anos graças a Tony Manero. O país vivia entre o entretenimento e a contracultura; a era dancing e os jovens politizados no Brasil da ditadura. Mas nas discotecas os passos do personagem eram imitados entre luzes piscando e mulheres coadjuvando nas pistas.

Além de levar Travolta ao estrelado, Os Embalos de Sábado a Noite turbinaram na época a carreira dos Bee Gees, que assinaram cinco músicas especiais para o filme (Stayin’ Alive, How Deep Is Your Love, Night Fever, More Than a Woman e If I Can’t Have You). O roteiro de Norman Wexler é simples, mas, visto hoje, tem nuances que o gingado de Tony Manero deixou em segundo plano. O ator tem uma interpretação caricata, só que dançou tão bem – e treinou muito suas coreografias – que algumas de suas entradas na  discoteca (gingando) foram filmadas de longe para impactar ainda mais o público.

Embalos Site embalo2A história do jovem pobre do Brooklin,  que trabalhava durante toda a semana e nas noites de sábado vestia terno branco, calçava sapatos plataforma e se perfumava (muito) com a colônia Brut para ir aos bailes foi embalada pelas canções dos irmãos Gib. Tony era machista, conquistador e pretencioso. Tinha também seus dramas pessoais, como a relação com o irmão, um padre desiludido. Quando resolve participar do concurso de dança e consegue convencer Stephanie Mangano (Karen-Lynn Gorney) – mais velha, madura e grande dançarina –  a ser sua partner, ele vai percebendo, também, as limitações de sua vida. Uma vida, fora das pistas, banal e sem perspectivas.

Dança e música são a matéria-prima do filme, mas  o diretor foi um pouco além da trilha e coreografia ao mostrar alguns conflitos dos  jovens do final da década de 70. Drogas, álcool, sexo, amor, dinheiro e amizade estão submersos no roteiro. Vale registrar, em 1977 – os anos 70 são cinematograficamente marcantes – Woody Allen fez Noivo Neurótico, Noiva Nervosa; Spielberg lançou Contatos Imediatos do Terceiro Grau e George Lucas brilhou com Guerra nas Estrelas.

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Pulp Fiction, a grande cartada

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Em 1994, a carreira de John Travolta ainda era nublada pelo dançarino de Saturday Night Fever. O ator, então com 40 anos e poucos filmes no portfolio – entre eles os três de Olha Quem Está Falando – recebeu cerca de US$ 150 mil para participar de Pulp Fiction – Tempo de Violência, de Quentin Tarantino. O diretor, roteirista  e ator vinha do sucesso de Cães de Aluguel, quando renovou o cinema americano com seu humor negro, a violência estilizada e temas barra-pesada tratados com uma naturalidade incômoda. Pulp Fiction tirou Travolta do limbo ao viver Vincent Vega, coadjuvante brilhante em uma história dividada em três, diálogos fortes e cenas impactantes.

O filme é repleto de referências a clássicos da telona, reviravolta nas tramas e uma cena inesquecível de Travolta (Vega) e Uma Thurman (Mia Wallace, a mulher do chefão) dançando descalços em um clube. O quarentão e a bela atriz estabelecem química e coreografia em uma cena escrita por Tarantino especialmente para John Travolta. Oscar de Melhor Roteiro, o filme entrou para a história e o ator provou, finalmente, que é da safra dos grandes intérpretes. Beth Barrabethbarrapress@gmail.com