A Editora Âyiné, em parceria com o We Work, traz ao Brasil no próximo mês o escritor italiano Daniele Giglioli para divulgar a nova edição de sua obra “Crítica da Vítima”. Em sua passagem pelo país, o autor fará um bate-papo com o público em livrarias de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, entre os dias 5 e 12 de junho, e também realizará palestras em universidades.

Na obra de 177 páginas, Giglioli analisa os sintomas da vítima, a quem ele chama de herói do nosso tempo: “Ser vítima dá prestígio, exige atenção, promete e promove reconhecimento, ativa um potente gerador de identidade, direito, autoestima. Imuniza contra qualquer crítica, garante inocência para além de qualquer dúvida razoável. Como poderia a vítima ser culpada, ou melhor, responsável por alguma coisa? Não fez, foi feito a ela. Não age, padece. Na vítima, articulam-se ausência e reivindicação, fragilidade e pretensão, desejo de ter e desejo de ser. Não somos o que fazemos, mas o que sofremos, o que podemos perder, aquilo de que nos privaram”. O próprio Cristo diz: “Odiaram-me sem motivo! (Jo-15,25).

Com três capítulos, o livro apresenta uma investigação sobre a origem da ideologia vitimária e a consolidação de uma estratégia de lamúrias que divide a sociedade em réus e vítimas, vítimas e algozes. A intenção do autor não é fazer um ataque ao que ele chama de “vítimas reais”, e sim jogar luz sobre a inversão da figura da vítima, que, segundo ele, ganhou uma condição de privilégio.

Giglioli destaca que o vitimismo tornou-se um forte instrumento de poder, uma vez que “os poderosos legitimam as suas posições mediante uma suposta posição de vitimização”.

Para formular a sua crítica, Giglioli recorre a pensadores como Kant, Foucault e Proust e também a eventos do passado – Revolução Francesa, Holocausto, Guerra do Vietnã, entre outros momentos emblemáticos da História. Por fim, ele diz dedicar o livro às vítimas que querem sair dessa condição e não mais sê-lo.

Giglioli é professor de Literatura Comparada na Universidade de Bergamo e articulista do jornal “Il Corriere della Sera”. No Brasil, ele também participará de palestras na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

A editora

Ítalo-brasileira, a Âyiné foi fundada em 2013, em Veneza, por dois italianos e pelo mineiro Pedro Fonseca, que atua como diretor editorial. Com a publicação de uma revista homônima dedicada ao mundo islâmico iniciou suas atividades e depois expandiu ao lançar diversos livros que vão de literatura a filosofia, passando por política, arte e poesia.  Através da publicação de livros mais econômicos, a editora propõe ampliar o acesso dos leitores brasileiros a obras de autores estrangeiros que possuem grande valor literário.

Serviço:

A crítica da vítima, Daniele Giglioli

São Paulo:
Data: 05 de junho de 2018, 19h30 às 21h30
Local: Livraria da Vila, R. Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena
Participações: Daniele Giglioli, Martim Vasques da Cunha (escritor e crítico literário) e Ronaldo Bressane (escritor e jornalista). Entrada gratuita

Belo Horizonte

Data: 08 de junho, 19h30 às 21h30. Local: Livraria Quixote, R. Fernandes Tourinho, 274, Savassi. Entrada gratuita

Rio de Janeiro

Data: 12 de junho, 19h30 às 21h30. Local: Livraria Travessa. Rua Voluntários da Pátria, 97, Botafogo.
Participações: Daniele Giglioli, Davi Pessoa (professor de Letras da UERJ) e Leonardo Cazes (jornalista e editor-assistente do Globo). Entrada gratuita.